Enviado por Antônio Gornatti em 25/10/2007
Nossas diferenças na época eram enormes. Disputávamos namoradas, melhores notas, popularidade e lugar na fila do colégio ( o critério era "altura", e tínhamos mais ou menos o mesmo tamanho )...
A pressão foi tornando-se insuportável até que certo dia, durante o intervalo das aulas, no pátio do saudoso colégio "Professor Chaves" deu-se o embate. O que Gilnei não sabia era que eu estava armado. Sim. Trazia no bolso um Faber Castell número 2, recém "apontado".
A briga foi rápida, porque, covardemente, saquei do meu pontiagudo lápis e desferi um golpe certeiro na cabeça do meu adversário. O susto de ambos foi tão grande que paramos a briga ali mesmo. Lembro das palavras dele: "Tchê, lápis não vale".
E não valia. Segundo os colegas, por ter usado esse recurso, acabei por "perder a briga". Desse episódio nasceu uma grande amizade e admiração que nutri até os últimos dias do Gilnei, acompanhando à distância a capacidade criativa desse Santanense que, enquanto por aqui esteve, esforçou-se para criar, construir e dar exemplo.
Saudades dos tempos em que nossas maiores preocupações eram o futebol e as pandorgas. O ano era 1974, a vida corria devagar e sonhar com um futuro melhor ainda era possível. |